O título diz: "Quando a dor não é o bastante", obviamente, há outras traduções e interpretações. Por que? Quando não há palavras para expressar o que se sente, tudo o que é possível fazer é sentir dores, uma delas é conhecida como impotência. Neste país tal palavra é somente usada como um mal que afeta homens em relações sexuais, portanto, partindo deste principio, pode-se dizer que muitas pessoas sofrem de impotência e não sabem e o que é pior, afirmam que jamais passariam por isso.
Impotência mental (ou intelectual) é quando não se consegue encontrar soluções para certos problemas, e possível até dizer que a pessoa se encontra com "mãos atadas", bom, a sensação é bem parecida: imagine que uma barra de ouro esteja no chão mas por algum motivo não consegue se abaixar para pegá-la, bom, parece exagero, mas se pensar bem, coisas similares ocorrem todos os dias.
Pessoas intelectuais costumam resolver problemas apenas com o dom da comunicação, conseguem entender e se expressar perfeitamente com seus semelhantes a ponto de tornar aquilo que era intrigante e desagradável uma brincadeira de criança. Outras pessoas simplesmente se julgam no direito de não compreender os outros apenas por luxo ou algo parecido causando assim um transtorno cujo qual todos saem machucados de alguma forma.
O problema de pessoas que compreendem as outras é a frequência: ouvem tanto e são cobradas inúmeras vezes que uma hora simplesmente não dá mais para aguentar. A gota d'água é que todos apontam suas armas para ela em sinal de pura incompreensão, hora, qual é o pecado tão grave deste ser? Será que quanto mais nobre ele se mostra menos erros deve cometer? Não se pode falar de injustiça, pois, mesmo o Todo Poderoso afirmou a Noé que o mundo não é justo, então, um pobre humano não pode reinvidicar absolutamente nada de outra pessoa, pois, há o livre arbítrio para barrar.
Cobranças são como tapas no rosto: adoecem aos poucos com amargura, criam fronteiras tão bem protegidas entre pessoas que até a fronteira dos E.U.A e México ficariam com inveja além de fazer mudar o mais puro dos seres. Mesmo aqueles que juram não ligar para dívidas têm pesadelos com suas cobranças, aliás, nem é necessário dever para ser cobrado, basta estender a mão uma vez e o mesmo gesto será cobrado no futuro, seja pela mesma pessoa ou por outra. Para simplificar, se "A" observa "B" estendendo a mão generosamente para "C", então "A" cobrará o mesmo a "D" que não tinha nada a ver com o assunto, porém, é da mesma espécie e ESPERAM QUE TENHA O MESMO COMPORTAMENTO, ou seja, basta ser humano para ser cobrado, crianças que ainda nem nasceram serão cobradas no futuro por causa daquele que já morreu... isso parece ser uma regra BEM ESTÚPIDA, mas é assim que as coisas funcionam. Solução? Quem dera este texto tivesse tal finalidade ou sabedoria, talvez esta seja mais uma daquelas questões que um indivíduo deve apenas aceitar e ponto final, entretanto, há a opção de isolar-se, evitar ao máximo o contato com outros posto que tudo que fizer de bom ou ruim gerará uma cobrança futura, ninguém é justo o suficiente para não fazer isto.
"A questão é: como criar mais paciência em uma mente já tão abalada com os outros? Nunca somos suficientemente bons para ninguém! O pior é que alguns de nós ainda tem a decência de alertar sobre nossos erros, nossas faltas que tanto machucam os outros, mas ainda assim não é suficiente! Eles quem mais! Sempre mais! até a última maldita gota de sangue!!! Como criar amor ao próximo se é muito fácil odiá-lo por nos machucar?! Nem se quer a dor é suficiente (e agora digo apenas por mim): ou não notam que está doendo fundo aqui ou a meta para causar dor é imensamente alta. Será que estou errando em algo? Será que tenho que aumentar minha resiliência para aguentar mais a dor? Se for isso, tenho que sair correndo de tudo, de todos e inclusive de mim."



