Há algo diferente e sombrio na outra face
Um dia comum, reencontrando pessoas normais, realizando tarefas e cumprindo deveres típicos do dia-dia. É assim que vive um cidadão normal e responsável, em outras palavras, um "cidadão de bem". A sociedade tem o hábito de manter tudo nos trilhos, inclusive ela mesma, alguém que, por ventura, não cumpra com seus deveres é neutralizado de algum modo, tal como fazem os caçadores com feras que perderam o controle. O Homem é racional, porém, pode se enfurecer como qualquer animal de sangue quente (ou frio).
Pouco se fala em "máscaras", cada cidadão tem a sua com o objetivo de não mostrar ao outro sua intimidade, porém, não é uma questão de privacidade, muitas vezes, o indivíduo esconde para que não morra de vergonha ou pensem mal dele. Há outro tipo de pessoa, com outro tipo de máscara e não há uma denominação adequada para esta estirpe. Trata-se daquela que esconde sua fúria com um sorriso no rosto, do mesmo modo faz com as lágrimas. Talvez, apenas não esteja em um bom dia para confidenciar seus problemas com outras pessoas, ou então esteja certa de que não fará nenhuma diferença abrir o jogo a alguém que jamais compreenderá com perfeição seu íntimo.
O problema das máscaras é que se quebram com o tempo mostrando, então, a verdadeira expressão de um indivíduo. Há de se observar que, nem sempre o outro recebe o que vê e compreende a situação, a primeira coisa que faz é se afastar para que "não sobre para ela" - é apenas uma questão de evitar os estilhaços de uma explosão. O motivo do medo é que, todos sabem que existe um lado escuro dentro de cada um, portanto, percebem quando o próximo está em estado de pressão total: prestes a explodir em um surto.
Algo curioso é o hábito daquela pessoa "boazinha" e "gentil": vive sempre de bom humor, sorrindo para onde quer que o vento sopre, solidária e com bom senso invejável - O caso é que, como uma garrafa, a capacidade chega ao fim, ou seja, aquele sorriso em um momento ruim simboliza absorção de problemas, o que pode causar graves danos à mente: a pessoa não joga fora o que não lhe serve mais, ao contrário, guarda tudo o que é ruim dentro de si para evitar desavença com o provocador. Este tipo de pessoa costuma explodir violentamente quando chega a seu limite, portanto, expõe o lado que jamais mostrara e que até mesmo a própria mãe se surpreenderia.
Tudo isso só mostra o óbvio, tem-se como exemplo a lua: todos notam sua inestimável beleza quando brilha, porém, jamais pensam em seu lado escuro, ninguém olha para o céu em período de lua nova. Assim como ela, o humano tem um lado sombrio, sem beleza, intocável, imperceptível, inimaginável, as pessoas apenas esquecem deste fato, não tomam seus devidos cuidados e precauções, abusam da boa vontade, provocam e testam a paciência do outro, agridem o bom senso (tão raro nos dias de hoje), profanam o respeito com desrespeito, ... tudo isto só faz com que a "máscara feliz" se quebre, uma vez que isto ocorre só se pode esperar, no mínimo, duas coisas: cólera ou indiferença excessiva (do pior tipo).
Seria conveniente que as pessoas tirassem de vez suas máscaras e vivessem de modo franco e autêntico, porém, não é a realidade. As únicas máscaras que quebradas são aquelas que deveriam continuar intactas, pois, estas seguram um "monstro" sem sentimentos e, como se não bastasse, sedento por retalhação emocional. O outro lado da lua pode ser mais assustador do que parece, não há motivos para duvidar que, no mesmo corpo, haja duas personalidades tão diferentes, a dica é não pagar para ver.
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